Ciranda de Poesias

Soneto de fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure

O Bicho

Manuel Bandeira

“Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem”.

Classificados Poéticos – Roseana Murray

Menino que mora num planeta
azul feito a cauda de um cometa
 quer se corresponder com alguém de outra galáxia.
Neste planeta onde o menino mora
 as coisas não vão tão bem assim:
o azul está ficando desbotado
 e os homens brincam de guerra.
É só apertar um botão
 que o planeta Terra vai pelos ares…
Então o menino procura com urgência
alguém de outra galáxia
para trocarem selos, figurinhas e esperanças.
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