Oralidade

bla_blaA oralidade na vida de uma pessoa é de extrema importância em todos os campos, saber falar bem é saber se comunicar com exatidão, com clareza, é saber ter a capacidade de persuasão, é saber distinguir o certo do errado, quem fala bem pensa bem, tem agilidade mental para responder de imediato a uma questão e porque não dizer que quem possui o dom da oralidade sabe ser gentil, sabe ser romântico, sabe ser poético, sabe conquistar, sabe buscar novos horizontes e acima de tudo onde quer que esteja será sempre um destaque.

Através dos textos a seguir, podemos refletir sobre a imensa variedade linguística do nosso Brasil.

assaltoTipos de Assaltantes

 ASSALTANTE PARAIBANO

Ei, bichim…

Isso é um assalto…

Arriba os braços e num se bula, num se cague e num faça munganga…

Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim, se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora…

Perdão meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia.

ASSALTANTE BAIANO

Ô meu rei… (pausa)

Isso é um assalto…(longa pausa)

Levanta os braços, mas não se avexe não… (outra pausa)

Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado…

Vai passando a grana, bem devagarinho(pausa pra pausa)

Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado.

Não esquenta, meu irmãozinho, (pausa)

Vou deixar teus documentos na encruzilhada.

ASSALTANTE MINEIRO

Ô sô, prestenção… isso é um assarto, uai.

Levanta os braço e fica quetin quêsse trem na minha mão tá cheio de bala…

Mió passá logo os trocados que eu num to bão hoje.

Vai andando, uai! Tá esperando o quê, uai!

ASSALTANTE CARIOCA

Seguiiiinnte, bicho …

Tu te ferrou, mermão. Isso é um assalto. Perdeu, perdeu!

Passa a grana e levanta os braços, rapá .

Não fica de bobeira que eu atiro bem pra caralho…

Vai andando e se olhar pra traz vira presunto.

ASSALTANTE PAULISTA

Ôrra, meu ….

Isso é um assalto, mano

Levanta os braços, mano…

Passa a grana logo, mano .

Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pá comprar o ingresso do jogo do Curintia, mano …

Pô, se manda, mano… .

ASSALTANTE GAÚCHO

O guri, ficas atento …

Bah, isso é um assalto .

Levanta os braços e te aquieta, tchê!

Não tentes nada e cuidado que esse facão corta uma barbaridade, tchê. Passa as pilas prá cá!

E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala.

ASSALTANTE EM BRASÍLIA

Querido povo brasileiro, estou aqui no horário nobre da TV para dizer que no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas para dar uma ajuda aos pobres políticos do nosso país

Energia, água, passagens aéreas e de ônibus, gás, Imposto de Renda, licenciamento de veículos, seguro obrigatório,gasolina, álcool, IPTU, ICMS, PIS, CONFINS.

Meu povo, não se esqueça: “Somos uma nação feliz.”

“O Brasil é penta e em fevereiro tem carnaval!”

 

Língua Brasileira

Kledir Ramil

 “Outro dia encontrei um mandinho, um guri desses que andam pela rua sem carpim de bragueta aberta, soltando pandorga. Eu vinha de bici descendo a lomba para ir na lancheria comprar bergamota…”

Se você não é gaúcho, provavelmente não entendeu nada  do que eu estava contando.

No Rio Grande do Sul a gente chama tangerina de bergamota e carne moída de guisado. Bidê, que a maioria usa no banheiro, é o nome que damos para mesinha-de-cabeceira, que em alguns    lugares chamam de criado-mudo. E por ai vai… A privada nós chamamos de patente. Dizem que isso começou a chegada dos primeiros vasos sanitários de louça, vindos da Inglaterra, que traziam impresso “Patent” número tal. E pegou. Ir aos pés” no RS é fazer cocô. Eu acho trielegante, poético.  “Com licença, vou aos pés e já volto!”

Uma  amiga carioca foi passear em Porto Alegre e precisou de médico.  A primeira pergunta foi: “Vais aos pés normalmente, minha filha?” Ela na mesma hora levantou e começou a fazer flexão.

O Brasil tem dessas coisas, é um país maravilhoso, com português como língua oficial, mas  cheio de dialetos diferentes.

No Rio é “E aí, merrrmão? Até eu entender que merrmão era “meu irmão” levou um tempo.

Em São Paulo eles botam um “i” a mais na frente do “n“: “Orra meu! To por deintro, mas não tô inteindeindo“. E no interiorr falam um erre todo enrolado: “A Ferrrnanda marrrrcô a porrrteira“. Dá um nó na língua. A vantagem é que a pronúncia deles no inglês é ótima.

Em  Mins, quer dizer, em Minas eles engolem letras e falam Belzonte, Nossenhora e qualquer objeto é chamado de trem. Lembrei-me daquela história do mineirinho na plataforma da estação. Quando ouviu um apito falou apontando as malas:   “Muié, pega os trem que o bicho tá vindo.”.

No  Nordeste é tudo meu reibichinhoó xente. Pai é painho, mãe é mainha,  vó é voinha. E para você conseguir falar com o acento típico da região é só cantar a primeira sílaba de qualquer palavra numa nota mais aguda que a seguinte.

No Espírito Santo eles colocam “i” onde não tem e tiram de onde tem. Arroiz,  paiz, nóis,  vocêis, fejão, bejo, quejo, etc. Largatixa é taruíra.

Mas o lugar mais curioso de todos é Florianópolis: Lagartixa eles chamam de crocodilinho de parede. Helicóptero é avião de rosca (que deve ser lido rôchca). Carne moída é boi ralado. Se você precisa pedir um pastel, precisa pedir um envelope de boi ralado.

Ainda em Floripa: Telefone público, o popular  orelhão é conhecido como poste de prosa e a ficha de telefone, pastilha de prosa. Ovos eles chamam de semente de galinha e motel é lugar de instantinho. E a pronúncia correta de d+e é “di” mesmo e não “dji” como a gente fala.

Acho que essa pronúncia vem sendo potencializada  pela influência do castelhano com a invasão de argentinos no litoral catarinense sempre que chega o verão.  Alguma coisa eles devem deixar, além do lixo na praia.

Em Porto Alegre,  uma empresa tentou lançar um serviço de entregas em domicílio de comida chinesa, o Tele-China. Só que um dos significados de china no RS é prostituta.

Claro que não deu certo. Imagina a confusão, um cara pede uma loira as duas da manhã e recebe a sugestão de frango xadrez com rolinho primavera.  Banana caramelada! O que é que um cara vai querer com banana caramelada no meio da madrugada?

Tudo isso é muito engraçado, mas às vezes dá problema sério.

A primeira vez que minha mãe foi ao Rio, entrou numa padaria e pediu:  “Me dá um cacete!!!… “Cacete para nós é pão francês“. O padeiro caiu na risada e a chamou para um canto, tentando contornar a situação. Ela ingenuamente emendou: “Mas o senhor não tem pelo menos um cacetinho???

He he he he … Gaúchos (riograndenses), cariocas, paulistas, mineiros, capixabas, nordestinos, catarinenses… não tem jeito mesmo!!!

Mas amamos e acreditamos em um Brasil melhor.